Nos bons tempos, Melissa era só uma sandália

Vermes e vírus detonando seu e-mundo

18 de Junho  de 1999

C arlos não sabe se lê a sua caixa postal eletrônica e  espera um poderoso ataque de uma nova espécie cibernética mutante, com o poder reprodutor de um verme e a força destruidora de um vírus. Ou resigna-se e volta a usar os velhos telefones, fax e máquina de escrever. 

Sua secretária Odete crê que todo o pânico  não passa de uma transtorno, como aqueles e-mails alertando sobre um novo vírus ativado apenas pela leitura de um e-mail recebido. Ela pensa que preocupar-se com vírus é perda de tempo. 

Carlos está com síndrome de Collor (paranóico), ler um e-mail não aciona nenhum vírus. O vírus é sempre um programa e só pode ser acionado quando retira-se um arquivo anexo (attached file). O programa de correio eletrônico pode executá-lo automaticamente. 

Na última quinta feira, 10 de junho, surgiu um novo vírus, mistura de Melissa com Chernobyl. O vírus Melissa era apenas um verme. Quando o e-mail era recebido e o arquivo anexo era retirado, o programa examinava a lista dos correspondentes no correio e enviava a mensagem com o programa para estas pessoas. Isto entupia as redes dos correios eletrônicos (a característica do verme é a sua propagação rápida) 

O novo vírus (W32/ExplorerZip.worm) espalha-se de outra maneira. Todo e-mail recebido é respondido automaticamente. Assim, quem enviou o e-mail pensa que a mensagem é de pessoa de confiança e o vírus é ativado (executando-se o arquivo anexado). Neste instante ele comporta-se como o vírus Chernobyl  e destrói os arquivos do Word, Excel e Power Point (e.g., relatórios, planilhas de custo e apresentações). Os sistemas de correio eletrônico Boeing, AT&T, General Electric e da Microsoft sofreram uma parada temporária para descontaminação dos discos da rede  (veja O Estado de São PauloComputerworldThe New York Times) . 

O ceticismo de Odete pode custar todo o seu trabalho. A paranóia de Carlos é energia jogada fora. A abordagem correta  é uma atenção constante,cópia de segurança (becape) do trabalho realizado e programas antivírus atualizados, que examinem os arquivos que vêm em disquetes ou anexados nas mensagens de correio eletrônico. (ver 6 passos para prevenir um vírus

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