A praça medieval cibernética

Um retorno tecnológico à idade média

21 de abril de 1997 

Pedro entra na praça principal. Conversa com Manoel e examina os tomates. Confia na qualidade da banca do Manuel e este conhece o comprador e vende fiado, confiando no pagamento futuro. 

Assim era o comércio há séculos atrás (em muitos lugares, ainda é) . O vendedor em contato direto com o cliente, o primeiro conhecendo as necessidades do segundo e o segundo sabendo o que o outro ofertava. Com o aumento de escala da economia surgiram os intermediários e os canais de distribuição tornaram-se componentes vitais do comércio. 
O comércio eletrônico traz um recuo ao passado, com a criação de uma praça eletrônica, onde todos se encontram. Mas surgem pelo menos três problemas: 

- como o cliente vai saber que a ciberloja é de confiança? 

- como fazer um pagamento seguro (evitando que alguém pague usando suas informações ou o seu pagamento ser desviado para um local não desejado) 

- como o vendedor vai verificar se o cliente é de confiança? 

Os vendedores da internet estão se organizando em grupos como Shop.org, que teria segurança, qualidade e garantias de entrega como qualquer outro vendedor. O sítio ("site") auditor ( Public Eye) analisa se um loja pode ter o selo Shop.org. Este movimento pode levar a padrões que impliquem em credibilidade. 

Outra iniciativa é a CommerceNet, um consórcio que inclui as principais empresas do setor financeiros, de telecomunicação e informática. Este consórcio tem por objetivo a criação do IMarket, o mercado Internet. 

Quanto a segurança utiliza-se a assinatura digital. A sua mensagem de pagamento é codificada usando um senha pública, que identifica a pessoa que enviou a mensagem, e a senha privada, que só é conhecida por quem envia a mensagem. Quem recebe a mensagem usa a senha pública para assegurar-se da identidade do remetente e da integridade da informação (assim há certeza da identidade do comprador). Atualmente as comunidades legais americanas e internacionais estão estabelecendo os processos legais que tornarão as assinaturas eletrônicas equivalentes às escritas (no caso do Brasil, adeus cartórios :-) ) 

Outro esforço importante é a iniciativa conjunta de pagamentos eletrônicos, JEPI, a qual pretende uniformizar as tecnologias de pagamento. Com esta iniciativa todos os clientes e fornecedores terão uma mesma moeda eletrônica para os seus negócios. 

A praça virtual é muito maior que a Praça Tiananmen. A previsão para o ano 2000 para comércio eletrônico nos EUA é de um milhão de empresas e 100 milhões de consumidores, com o faturamento de vendas acima de US$ 50 bilhões (segundo CommerceNet). No Brasil estima-se de 700 mil a um milhão o número de potenciais consumidores no momento. 

Com a penetração da Internet nas empresas (Intranet) e com a criação de uma infraestrutura segura para o comércio eletrônico, a pergunta não é sobre a viabilidade da entrada no mercado eletrônico e sim qual a melhor maneira de movimentar-se nas novas rodas do capitalismo. 

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© 1996-1998 João Alexandre Sartorelli.
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