20 de Maio de 2001
P edro matou o lobo mas está perdido
na selva de siglas, SAP, CRM,XML, HTML,
HTTP, e está tão irritado que confunde TCP/IP
com PQP e FTP com FDP.Ele não consegue entender o que
tudo isso pode fazer por sua empresa.
Nos velhos tempos a empresa tinha uma
administração, que cuidava dos recursos humanos,
finanças; tinha um setor que cuidava do produto, desde
a concepção até a produção; tinha
fornecedores e o mais importante, tinha clientes. E
tudo funcionava com pessoas e papéis.
Com o computador foi possível
desenvolver softwares que cuidassem do produto, desde a
concepção na engenharia (CAE), o projeto (CAD) até
a produção (CAM). Os processos são controlado
por outra espécie de software (PDM). Assim já é
possível controlar o ciclo de vida de um produto.
Também foi automatizada a gestão
da empresa, com softwares como o SAP. No caso do SAP um grande problema
foi a empresa adaptar-se ao software e não o contrário
(é importante lembrar que o SAP traz dentro dele uma concepção
germânica de uma empresa).
Outras empresas de software preocuparam-se
com a cadeia de fornecimento (supply chain). Um software de
uma empresa como a i2 controla toda a logística de uma empresa.
Para não deixar de lado o cliente
foi criado o software que gerencia o relacionamento com o cliente
(CRM, customer relationship management), como o da Siebel.
Contudo ainda há um problema,
os softwares devem ser integrados. Decisões em relação
ao cliente tem impacto no projeto do produto, na área financeira
e na logística de produção. Mudanças no
produto tem conseqüencias financeiras e no relacionamento com
fornecedores. Assim seria muito interessante a comunicação
entre todos esses softwares.
É muito comum ter um banco de
dados associados a esses softwares, no Vantive é o Sybase e
no PDM da Unigraphics é o Oracle. Um banco de dados
é em última análise um conjunto organizado de
tabelas e assim não há maior dificuldade em transportar
informação de um para o outro, estabelecendo um canal
de comunicação. Falta um meio para essa comunicação.
O meio aonde é possível
a comunicação é a Internet. As tecnologias
da Internet (HTTP,HTML,XML,TCP/IP,FTP) são o tijolo e cimento
que permitem ligar esses softwares. Concebe-se uma arquitetura que
permite voltar aos tempos em que havia apenas gestão, produto,
clientes e fornecedores. A complexidade desse trabalho arquitetônico
esconde-se através de uma apresentação de fácil
utilização, do mesmo modo que o relógio mostra
apenas o ponteiro das horas e esconde toda a maquinaria.
Com a integração pela Internet
torna-se natural a criação de um portal na Internet,
portal esse com acesso por clientes ou fornecedores, a empresa
estendida. Os fornecedores não necessitam mais de arcar
com os custos de criação e manutenção
de uma infraestrutura tecnológica. Podem apenas ter um micro
com Explorer ou Netscape e pagar um aluguel pelo uso da infraestrutura
criada pela empresa que executou a integração.
Quando as fábricas usavam a energia
hidraúlica, todos os equipamentos motrizes estavam próximos
da fonte de energia, pois a única fonte de transmissão
era mecânica. Quando surgiu a eletricidade manteve-se a mesma
disposição. Mas percebeu-se que não havia necessidade
dessa proximidade e o maquinário poderia ser organizado em
uma linha de produção. Assim apesar de ainda termos
os quatro elementos, clientes, produto, gestão e fornecedores,
os processos baseados em papéis e pessoas devem ser
alterados porque agora as pessoas continuam, mas surgiu o computador.
A empresa hierarquizada e rígida
era adequada a era das ferrovias, do papel e da produção
em massa de um artigo padronizado. Só uma empresa com os quatro
elementos plenamente integrados pode entender plenamente o consumidor
e fornecer rapidamente produtos que atendam a esse entendimento. E
esta empresa deve além dos quatros elementos contar com a inteligência
de seus colaboradores.
A arquitetura computacional, embora complexa,
será uma commodity com o decorrer do tempo. A
inteligência humana será o diferencial na competição,
o que agradou muito a Pedro, que entendeu a mensagem desse texto e
de bobo não tem nada.